
Entre as paredes que separam almas,
a rosa que as unificam
E o concreto acinzentado sob o sol
O corpo aquece, feito ferida descascada
Levemente untada com areia
A cabeça dói com a velocidade
Não, eu nem sei se do pensamento
Ou se do vazio
Mas sim, o vazio é veloz
Muito mais do que luz que acende
E as entranhas que atormentam
Não me deixam dormir a noite
Nem mesmo ao dia
Mas o que importa?
O sabor amargo ou azedo
é mesmo o que se tem?
Porque na verdade
O que é demasiado doce me dá enjôo
Nem sei o que é melhor
Talvez nem mesmo o seja
O que mais eu quero ver?
Meus olhos refletidos?
Muitas perguntas descabidas
Não cabem se quer
em qualquer resposta tola
dirigida a mim
por mim mesmo
Sim, de fato
Nem sei de mim
E quem sabe?