quarta-feira, junho 13, 2007

O Penhasco de Dentro (Ale- 13/06/2007)


Fascinação do poeta
Em letras sujas ou reluzentes
Espalha-se em papéis amarelados

Fantasias grotescas
em mundos obscuros
refletindo a alma
dos que compõem

imensidão é porta
por onde entra o ar
em que respira a fragrância
do que um dia sonhou

Ah! Pobre poeta de dor

Dói. Desacostuma-se à alegria
Momentos de transe
No êxtase em mim

Sopram os ventos
Incompreensíveis ventos da alma
Caem as almas dos penhascos
De suas próprias entranhas

Ah! Pobre alma insana

Já não mais chora por sentir
E sim por ser
Apenas o que acontece

Aqui ou ali
Nem sei mais o quê

Já nem se quer me apetece saber

Entrego-me em cores
as quais colori
dentro do que talvez
eu fosse

já não sou mais
o que um dia senti

e já nem sinto
o sorriso na face
Oh, mundo sofrido!...Perdi

Jogaste-me ao canto da rua
Sem gente
Oh rua demente

O frio estilhaça os ossos da face
Infinito horizonte da arte

Aquele que me faz ser assim
Apenas assim
Produto da vida sem fim

2 comentários:

Brenda Cortez disse...

estilhaços, aos poucos juntos quando se tem a esperança de amar.. outra e outra e outra e outra vez... poetas sempre! ;)

abraços!

Alexandre Sugamosto disse...

Já dizia o grande semi-poeta simbolista desconhecido, Pedro Kilkerry:

Cérbero


É, não vens mais aqui... Pois eu te espero,
Gele-me o frio inverno, o sol adusto
Dê-me a feição de um tronco, a rir, vetusto
- Meu amor a ulular... E é o teu Cérbero!

É, não vens mais aqui... E eu mais te quero,
Vago o vergel, todo o pomar venusto
E a cada fruto de ouro estendo o busto,
Estendo os braços, e o teu seio espero.


Mas como pesa esta lembrança... a volta
Da aléia em flor que em vão, toda transponho,
E onde te foste, e a cabeleira solta!

Vais corações rompendo em toda a parte!
Virás, um dia... E à porta do meu Sonho
Já Cérbero morreu, para agarrar-te.

Por ae.