quinta-feira, março 03, 2005

A Filosofia do Espírito (Ale - 03/03/05)

Ontem, em uma aula de filosofia, escutei uma frase atribuída a um dos primeiros filósofos, Heráclito. Trata-se de uma verdade constante e completamente imutável, acho até que ao invés de ser considerada uma frase filosófica, poderia até ser denominada de frase científica com fundamentos espirituais, diante de sua profundidade e beleza, diante da percepção clara e verdadeira deste pensador. Ao escutar tamanha beleza de ensinamento, mesmo com sua notável simplicidade, tive uma verdadeira alucinação, como que atingido de uma forma fulminante pelo efeito de alguma droga poderosa, extremamente alucinógena e de uma força quase inimaginável que me fez viajar por completo, como uma viagem astral pra dentro de mim. Não citarei na íntegra, até porque não me foi dita com tamanha precisão, mas tentarei aproximar ao máximo para que me faça entender, para que eu possa, através de palavras, traduzir o que vivi e compreendi diante de tudo: “É impossível banhar-se duas vezes no mesmo rio, porque em uma segunda vez já não será o mesmo rio e nem tampouco a mesma pessoa”.
Como é dinâmica a vida, como é mutável o coração humano. Independente da mudança, todos mudam. Muitas vezes temos uma compreensão do amor, sentimos com toda intensidade aquele amor e chegamos a afirmar uma convicção inabalável do nosso sentimento e pensamos: “estou pronto!” Mas a vida, as circunstâncias, os acontecimentos chegam até nós com a força de um furacão, arrastando tudo aquilo que até então nós tínhamos em nós, inclusive a nossa própria consciência da verdade, da tranqüilidade e da segurança do que é realmente verdadeiro em nós. As ilusões trazidas pelos ventos têm a função única de fortalecer a nossa alma, a nossa resistência, flexibilizar o nosso espírito ao mesmo tempo, torná-lo firme. Acontece que, como muitas árvores, muitos seres humanos permitem-se serem levados pelo vento devastador das fantasias, da ignorância, das incertezas, na busca incessante de uma felicidade falsa proporcionada pela euforia das emoções. A base da explicação para a dependência psicológica de algumas drogas é a sensação de euforia causada por elas, seguida de uma depressão posterior, o que faz com que o suposto viciado precise, psicologicamente, por uma necessidade de encobrir a depressão, utilizar novamente aquela droga, pois sob o efeito da mesma as pessoas se consideram felizes, após a depressão a euforia e depois a depressão novamente e a necessidade da euforia, e assim a criação de um círculo vicioso de autodestruição. Exatamente da mesma forma, funcionam as ilusões e fantasias. A busca da suposta “felicidade” faz com que nos deixemos ser levado pelo furacão das emoções, das ansiedades incontroláveis, pela euforia dos momentos. Após a passagem do vento, entramos em um estado de “depressão moral” de insatisfação pessoal e a solução imediata imaginada é o uso daquela droga novamente, a ilusão, a fantasia humana.
Até quando viveremos como folhas secas? Até quando os ventos nos carregarão sem um rumo definido, nos jogando pra lá, nos trazendo pra cá? Sinto que somente quando compreendermos que a felicidade consiste em tranqüilidade, em segurança de que se ama alguém e de que esse alguém lhe ama, no tocante a sentimento verdadeiro do amor, mesmo sem o fogo da ansiedade e das sensações confusas. A felicidade também consiste em uma base moral e calma do cumprimento de nossas responsabilidades para com o nosso próximo, para com nós mesmos, para com nossa família e para com a sociedade, a ponto de você poder, à noite, em seu quarto, colocar a sua cabeça no seu travesseiro como se naquele instante você estivesse deitando sua consciência em uma nuvem de algodão macio e claro, com a pureza da sua alma bela e tranqüila e com a certeza do cumprimento do dever de cada ser, do respeito, da educação, da amizade e do sentimento do verdadeiro AMOR!

Desejo que todos possamos encontrar o nosso verdadeiro amor e desejo aos que já o encontraram que saibam fortalecê-lo a cada dia e tenham a força pra resistir às fantasias do mundo, permitindo assim, que o nosso coração encontre a serenidade da verdadeira felicidade!


2 comentários:

Natalie Martins disse...

A aula ontem foi bombada mesmo. Também tive alguns "devaneios" quanto a isso, mas eu já tinha escrito o "Vida morna", que fala sobre isso..." o tempo não é algo que possa ser controlado, não volta atrás." Claro que não podemos ignorar o passado, mas não podemos vivê-lo. Temos que olhar para o horizonte.

"Cuidado com as suas palavras, pois elas serão seus atos.
Cuidado com seus atos porque eles serão a sua personalidade.
Cuidado com a sua personalidade porque ela será seu caráter.
Cuidado com o seu caráter, pois ele definirá seu destino."

Ale (mestressan) disse...

Bom dia! Como é bom ter você aqui. Volte sempre que puder! Sua presença me alegra! Um beijo, Ná!